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A História de Nova Lima
A História de Nova Lima

   

     A falta de informações precisas para a historiografia da gênese mineira, leva alguns historiadores a discenir sobre o assunto com uma forte dosagem pessoal, calcados mais, naturalmente, em suas culturas, em suas vivências, em suas conveniências do que na realidade histórica. Provavelmente estaria fazendo o mesmo, mas prometo tomar cuidado para me ater a verdade dos fatos.

     O que há efetivamente registrado, mais remotamente, são as notícias de várias expedições á area política do atual Estado de Minas Gerais, a partir do século XVI. Incursionaram vindos do norte, do leste e do sul.

     Algumas descobertas de metais e pedras de cor açulavam a mente aventureira dos caçadores de fortunas rápidas.

     Por volta da metada do século XVII, irradiaram de São Paulo numerosas bandeiras, visando, principalmente, ao preamento de Índios, sendo que algumas delas se dirigiram para o atual território mineiro.

     Com o declínio da produção da cana de açucar, tudo confluia, pois, para o descobrimento de nova fonte de riqueza, na dadivosa colônia, sempre rica e desperdiçada.

     A Coroa Portuguesa se empenhou junto aos principais bandeirantes paulistas (ao tempo em que afastavam as fronteiras brasileiras para além da linha do Tratado de Tordesilhas) com o objetivo de localizar as míticas minas de ouro. de prata e das decantadas esmeraldas.

     A Serra de Sabarabuçu era o marco das riquezas minerais tão cobiçadas pela Corte Luzitana. Esta, sabedora da sensibilidade dos paulistas às honrarias e vantagens econômicas, acenava com mercês dignatárias e direitos de exploração pela revelação dessas ricas jazidas.

     O fato que aqui nos interessa é que registros antigos dão como certo a Manuel de Borba Gato como o primeiro descobridor do ouro "nas margens do Rio das Velhas em 1680, principalmente a afamada Serra de Sabarabuçu". A descoberta do ouro já havia sido praticada por este bandeirante e, outros afluentes do Rio das Velhas e ele vinha se locupletando delas sigilosamente ao lado de amigos e parentes.

     A matreirice de Manuel de Borba Gato nas imediações da Serra de Sabarabuçu, que tanto marcou a personalidade mineira, haveria de ser o fator inicial do povoamento da futura "Campos de Congonhas". Como Manuel de Borga Gato pesquisou todos os afluentes do Rio da Velhas, próximos a Serra de Sabarabuçu, para regalo seu, de sua família e amigos, mantinha tais descobertas em sigilo. Um fato entretanto, faz com que a Coroa Luzitana tomasse conhecimento de uma área denominada por Borba Garo de "Ribeiro do Campo", futura Campos de Congonhas.

     A Manuel de Borba Gato é atribuído um  crime de morte na região do Sumidouro em Sabarabuçu. A vítima teria sido o nobre D. Rodrigo de Castel Blanco. Devido ao assassinato atribuído a Manuel de Borba Gato ou a gente de seu séquito, este se viu forçado a esconder-se pelas entranhas dos sertões das Gerais a fim de evitar as duras punições que lhe seriam imputadas pelas rigorosas leis da época para quem praticasse crime de morte contra um nobre.

     Manuel de Borba Gato buscou então um encontro as escondidas com o Governador da província que compreendia então o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, Artur de Sá e Menezes na cidade de São Paulo.

     Manuel de Borba Gato, chegando em São Paulo em ocasião oportuna, já tarde da noite, se lançou aos pés de Artur de Sá e Menezes, que já estava bem informado de toda a situação e o recebeu com carinhosa afabilidade e estando mais tranquilo do susto o aflito bandeirante, se declarou explanando o caso com suas circunstâncias e que o Governador em nome de Sua Majestade lhe desse perdão do suposto e imaginário crime, que se lhe imputava, descobriria, e faria manifesto umas minas de ouro com grandeza tal, que serviria de grande aumento à Coroa no rendimento de seus quintos, e aumento dos seus povos, que até aqui tinha-o oculto por viver retirado pelos sertões, temeroso das justiças e da indignação de Sua Magestade.

     Ao apelo o governador acedeu prometendo interferir junto ao Rei para o perdão do crime e a concessão de mercês se os descobertos se revelassem de merecimento.

     E como se revelaram!

     Em começo de 1700 partiram ambos, o governador e o sertanista Borba Gato, para a indicação das ricas jazidas de ouro.

     Conforme prometera, assim cumprira.

     Pouco tempo depois retornou Artur de Sá e Meneses para Lisboa, muito rico, com "trinta e tantas arrobas de ouro", que teriam sido tiradas das ricas datas reveladas por Manuel de Borba Gato em troca do perdão Real e estas datas eram chamadas pelo bandeirante de Ribeiro do Campo, mais tarde, Congonhas do Campo.

     O leitor atento, montará suas conclusões.

     1 - Borba Gato descobriu ouro no Rio das Velhas e perscrutava os seus alimentadores, dos quais a futura Congonhas do Campo;

     2 - Manteve-os oculto;

     3 - Por mais promissoras que fossem as lavras de que o Governador Artur de Sá e Meneses tenha se apropriado, não seria possível que, com a técnica primitiva de bateias, se amealhasse em tão pouco tempo, aquelas arrobas de ouro. Esse ouro vinha sendo recolhido há muito tempo e de vários lugares, inclusive da futura Congonhas do Campo.

     Agora aqui a história nos confunde, pois segundo livros de registro da época dão conta de que foi o paulista Domingos Rodrigues da Fonseca Leme que, depois de acompanhar seu cunhado, Garcia Rodrigues Pais, por cerca de quatro anos, à procura de Sabarábuçu, andou explorando os sertões de Minas, com seu irmão, Sebastião da Pinheiro da Fonseca Raposo, e, por volta de 1700, descobriu dois córregos auríferos na região denominada por Congonhas do Campo.

     O leitor mais atento há de reparar que é fato que Manoel de Borba Gato já explorava o ouro nesta região, muito antes do ano de 1700 e que também é fato que atribuem a decoberta do ouro em nossa região a Domingos Rodrigues da Fonseca Leme. Para tais fatos contrastantes chego a seguinte conclusão.

     O Descobridor do ouro em nossa região foi Manoel de Borba Gato e o fundador da nossa cidade foi Domingos Rodrigues da Fonseca Leme. A data é confusa quanto a fundação do arraial, aceitando-se a data de 1701 como marco do levantamento dos primeiros ranchos improvisados e de uma capela de tapera erguida em homenagem a Nosso Senhor do Bonfim, pois era costume entre os bandeirantes eregirem uma capela ao seu santo de devoção ao chegarem ao local de destino ou ao encontrarem ricas jazidas de ouro e Domingos Rodrigues da Fonseca Leme era devoto de Nosso Senhor do Bonfim. Razão de ser do surgimento da primeira edificação religiosa de nossa cidade.

     Me parece, que em função do crime do qual acusaram Manoel de Borba, este revelou as ricas jazidas até então ocultas por ele ao Governador Artur de Sá e Menezes em troca do perdão real. O Governador por sua vez vem a região e retorna com consideravel furtuna em ouro já lavrado nestas terras o que vem reafirmar que aqui o ouro já era explorado antes mesmo do ano de 1700. Domingos Rodrigues da Fonseca Leme é enviado para tomar posse das ricas jazidas, tanto é que aqui permanece por pouco tempo.

     Fatos que nos levam a pensar muito sobre o assunto, ainda mais em se tratando de ouro, metal tão cobiçado desde a mais remota antiguidade, o que leva a várias artimanhas e espertezas que desnorteam os fatos históricos e por consequência confundem a veracidade dos fatos.

     A notícia da descoberta do ouro em nossa região, espalhou-se rapidamente pela Colônia, chegou até Portugal e provocou uma incontrolável "corrida do ouro" para a região, trazendo não só para a Futura Nova Lima com em Minas Gerais milhares de pessoas em busca do sonho de enriquecimento fácil. No caso de Congonhas do Campo (Nova Lima), a instalação precária de toda essa população na área, desprovida de qualquer infra-estrutura - urbana, econômica, política ou administrativa -, levou a uma situação de confusão e conflito, com muita violência em decorrência das disputas pela posse das jazidas, com crises de fome devido à falta de produção ou carência de abastecimentos de gêneros básicos de subsistências. Os Paulistas, mais precavidos, vinham em seus comboios com gado e sementes para plantio e defendiam a poder de fogo suas provisões. Não raro aconteciam casos de estrupo, incestos e assassinatos. Essa situação comprometia seriamente o futuro da mineração aurífera na área, pois a falta de segurança e de condições de sobrevivência não somente poderia afugentar novos mineradores, como também impediria a apropriação pela Coroa Portuguesa, da riqueza mineral da terra.

     A desordem reinava absoluta nas Gerais, era necessária uma medida urgente para conter a situação.

     A vista desse quadro, interveio a metrópole, interessada não só em manter a ordem na região, mas, sobretudo, em mantê-la pra melhor controlar a exploração e a arrecadação de impostos sobre o ouro. Essa intervenção materializou-se na forma da criação do Regimento das Minas (1702), regulamentando a exploração com a criação das primeiras vilas, com a criação da Capitania das Minas Gerais (1720) e com a montagem de toda uma estrutura administrativa com a finalidade primordial de garantir a arrecadação do quinto do ouro e evitar o seu contrabando. A partir daí, a exploração do ouro em Minas Gerais passou a obedecer a às rígidas normas impostas pela metrópole, e a Capitania tornou-se o principal centro econômico da Colônia.

 

 

 

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